quarta-feira, fevereiro 11

Ar


No vácuo... Eu sou tudo que você precisa e deseja...

Mas com ar ao redor... Eu te sufoco.

sexta-feira, novembro 23

Don't let the earth in me subside


Meu corpo é formado por uma pasta de pólvora e sangue,
Envolvida por uma grossa, porem frágil, casca emotiva.
A cada dia sinto esquentar um pouco mais,
Com as sacudidas cotidianas de uma vida urbana.


O externo parece afetar apenas o interno.
Criando pequenas explosões,
Abafadas por sorrisos falsos.


O calor percorre, embala, agita.


A pasta insiste em virar lava
A lava destrói a casca
A casca, já não existente,
Torna a explosão iminente.


A qualquer hora,
Em qualquer lugar,
Por qualquer motivo.


As mentiras acabam,
O controle se perde,
O sentido aparece.


Eu sou a lava, não a pasta.
Sou a pólvora agitada, esquentada, derretida, fundida.


O relógio quebrou,
O tempo parou,
Comprimiu o espaço,
O mundo acabou.

[Pic: Beatriz Nogueira]

quarta-feira, agosto 1


Eu Amo em Silêncio...

Minhas nobres palavras não podem ser faladas, escritas ou até mesmo pensadas, pois vivem em uma eterna contradição... destinadas ao mais puro clichê e as mais bregas composições... presas a um espírito inconstante, inseguro, egoísta, insaciável e muitas vezes inconseqüente... que segue uma linha irracional de desejo e prazer... fundamentados em ideologias e ilusões... vindo de uma mente extraordinária que se perde quando te ver.

É este o meu amor por você...

[Pic: Everestelle]

sábado, julho 28

Je ne fume plus mais je pars en cendres...

Eu sou o que seus olhos vêem... Uma pessoa diferente para cada mente... Reações variadas dependendo de quem realizou as ações.

Posso ser tudo que sua imaginação quiser e desejar.

Para mim... Sou um conjunto de experiências vividas, sentidas, tidas, unidas... Vida.

Um conjunto de sentimentos formados, lembrados, aprendidos, procurados, apagados.

Adjetivos variados... sinônimos... antônimos.

Eu sou narcisista... Amante do meu ser... Às vezes pisado, ignorado e humilhado pelo meu próprio ego.

Eu sou simplesmente complicada... confusa... raramente entendida... mas sempre notada.

Sou um ser pensante... racional... formador de ilusões, teorias e ideologias... mas também sou um animal... muitas vezes seguido por instintos incontroláveis e inexplicáveis.

Sou apenas mais um, tentando ser único e significativo no meio de tantos. Apenas mais um, tentando ser eterno pelas lembranças dos outros.


[Pic: DeviantArt]

domingo, julho 22

Os sons que antes me eram estranhos e nulos, agora se exaltam em sua amplitude total, de forma peculiar, para acolher seu desertor.

E o silêncio acabou.

[Pic: DeviantArt]

segunda-feira, julho 9

Vinhos e Poesias

Em uma casa de praia, uma noite de vinhos e poesias. Poesias sobre o amor, sobre os mais eternos sentimentos humanos e vãs filosofias.

Corpos conhecidos caídos pelo chão, uma atmosfera surreal de paz e harmonia. Harmonia entre os corpos e a paz dos que descansam olhando fixamente para o copo de vinho, tentando escrever mais do que apenas ouvimos esta noite. Alguns dormem, outros dançam, muitos pensam.

No quarto, apenas duas pessoas, com uma linda visão da lua cheia, que parece nascer do mar, pela janela.

A claridade cria uma leve penumbra, onde você se esconde para me observar.

Deito-me na cama olhando atentamente as ondas se entregando a sincronia do ar.

Você se aproxima, permitindo assim que a luz te iluminasse.

Queria parecer sensata, mas me sentia nervosa e imatura.

Tens um corpo pálido e esculpido de forma única. Lindos fios escuros e ondulados.

Um silêncio tenso e ansioso domina o ambiente. Seria muita prepotência te beijar?

Antes que pudesse perguntar...

Você se aproxima com um ar decidido, com uma vontade de silêncio acabar.

Ajoelha-se entre as minhas pernas e me beija. Um beijo voraz de desejo e ao mesmo tempo sutil de amor. Um amor desconhecido entre dois seres que acabaram de se conhecer.

[Pic: Everestelle]


domingo, julho 1

Silêncio

Não te direi mais nada,
Pois minhas palavras me ferem,
Me destroem.

Tentarei não pensar em ti como passado,
Mas como presente.
Não o que era,
Mas o que é agora.

As coisas mudaram
E devo mudar com elas,
Me adaptar ao meu novo lar,
que me acolhe sem perceber.

Minhas perguntas ecoam,
Mas enquanto não encontro respostas,
Sigo...
Triste ou feliz já não me importo,
Apenas sigo.

Espero que nunca se arrependa do que escolheu,
Pois alguns caminhos não têm volta.

[Pic: DeviantArt]

segunda-feira, junho 25

Eu Compro! Vende?

Eu fui ao supermercado hoje e perguntei se tinha amor, eles falaram que esse produto saiu de linha e a fabrica parou de produzir.

No restaurante, talvez eles soubessem cozinhar, mas o cara disse que perdeu a receita.

Entrei no Ebay esperando que tivesse um vende-se, mas só encontrei procura-se.

Eu fui a um antiquário, talvez um frustrado o tivesse abandonado, mas só encontrei cartas dizendo que um dia ele existiu.

No fim, já sem esperança, vi uma grande placa no botequim da esquina “vende-se amor pela metade do preço”, comprei o estoque todo, mas logo percebi que tinha sido enganada... Estava com defeito, faltou a reciprocidade.

Eu acho que vou comprar um pouquinho mais de racionalidade e envolvimento profissional.
Esse tal de amor é complicado demais e o pior é que não tem atendimento ao consumidor, nem reembolso.

Sabe... Eu vou ficar é com o meu estoque de sexo mesmo.

[Pic: pAiXAuM]

terça-feira, junho 19

França

Em um dia qualquer, e sem perceber, imagens surgem em minha cabeça formando um momento. Um momento de uma vida que não vivi, e não sei se algum dia o terei. Um sonho lúcido, acordado. Uma imagem estética, que desaparece assim que é processada.


França é o lugar.

Uma noite fria com pingos de chuva pela cidade, uma densidade amena em uma paisagem úmida e bela.

Um quarto escuro com uma pequena luz vermelha vinda de um abajur romeno ao lado da cama. Alguns jarros japoneses, com intensas rosas vermelhas, espalhados. As paredes eram velhas e manchadas, com vários quadros de fotografias pendurados. Garrafas de vinho, vazias ou não, por todos os lados.

Um corpo seminu, coberto singelamente por um lençol egípcio vermelho, deitado na cama ao lado de cinzas e mais cinzas em um exótico cinzeiro. Olhando atentamente para outro corpo, protegido apenas por uma camisa bege de botões, que se encontra em uma linda poltrona preta virada para a janela, bebendo vinho e observando a chuva cair do lado de fora.

Estimulando os sentidos Charles Aznavour com suas baladas francesas. No ar uma mistura de terra molhada, com pétalas de rosas, fumaça e vinho.

Eu sou o corpo da poltrona.
As fotos... São minhas.

O outro, um segredo.

[Pic: SeaFairy]

quinta-feira, junho 14

Mar Vazio


Temo me afogar nas águas de um mar vazio
Me perde nas ilusões que me são impostas
Temo perde o controle... A Razão
Te ter como minha perdição
Largando o meu posto de livre pensador
De nobre pecador

[Pic: MercrediW]

segunda-feira, junho 11

For Sale


Eu sou um produto...

Eu me vendo por carinho, demonstração de afeto, sexo e elogios... Um custo bem alto como pode ver.

Para continuar no mercado, eu tenho que sustentar uma grande manutenção na qualidade do produto. Livros mantêm o produto inteligente, amigos o fazem sociável, exercícios o deixam belo, cremes o mantêm sempre novo, alimentação saudável aumenta a duração, um grande envolvimento profissional garante o seu futuro.

Eu sou um produto.

Um produto estocado na prateleira de qualquer supermercado.
O problema pode ser a propaganda, talvez as pessoas não saibam que tal produto existe.
O problema pode ser a praça, talvez ninguém precise deste produto por aqui.
O problema pode ser a variedade, “ele está disponível apenas em uma cor?”
Talvez seja o mercado que está esgotado de produtos iguais a um preço semelhante.

O fato é que o produto não consegue ser vendido. Continua sem dono, sem carinho, sem demonstração de afeto, sem sexo, sem elogios.

[Pic: Me by Rajko]

domingo, junho 10

Heart



Meu Belo Ser,
Não se assuste com o fervor que meu coração ousa bater ao te ver.

Não tema sua intensidade,
Não o julgue inocente,
Meu coração é forte e paciente,
Não importa o quanto o fira,
Nunca conseguirá fazê-lo sangrar.

[Pic: Plectru]

sábado, junho 9

Inocência



O olhar inocente de uma criança,
A percepção de um mundo novo,
Idéias sendo formadas,
Memórias adicionadas,
Cortes profundos,
Cicatrizes.

Nada foi esquecido, apenas ignorado.
Nada foi criado, nós vivemos.

O olhar não mais inocente de uma criança.
Ela cresceu, entendeu, viveu...
Conheceu o seu semelhante e chorou.
Dias, noites, semanas, anos... Uma vida inteira.

O mundo estuprou os seus sentimentos.

[Pic: Bansky]


segunda-feira, junho 4

Lua



Aos meus olhos você é como a lua.
Aquele lindo satélite luminoso, que observo com uma certa distância.
Você é pura inspiração... Alimenta minha ilusão.
Tenho-te como um ser intocável e extremamente desejável.
Como um sonho, um motivo, uma esperança.
Um desejo contido que brota em mim,
me fazendo crescer...viver.
Um parâmetro... Um ideal,
Sofisticação mental.
Você é pura poesia... é perfume, iguarias.
Aos meus olhos lua do dia a dia... Es tudo que eu queria.
Mas nada funciona sem magia

e logo te perco para o sol...minha agonia.

[Pic: Pedro Marques]

sábado, junho 2

Obsessão


Um último tumulto mortal.

Após um corte profundo,
Uma dor constante,
Com uma sangria abissal,
E um fim em vista.
Cicatrizado ou não.

[Pic: Edvard Munch]

quarta-feira, maio 30

Picnic at Hanging Rock


Encontre-me, amor, quando o dia terminar.
Eu te amo pelo teu encanto nobre,
Pelos teus olhos profundos e resplandecentes,
Pelo doce meneio de tua fronte,
E por tua conduta tão soberba.
Eu te amo, pois es justa,
Mais macia que as dunas,
Mais lisa que o ar.
Não pelos cupidos que se encontram
Nos cantos de seus olhos pequenos.
Tu sabes por que seria?
Eu te amo porque tu me amas.

[Poesia presente no filme "Piquenique na montanha misteriosa", Sara o escreve para Miranda]
[Pic: Google, Cena do filme]

Eu confesso que logo de cara não dei muito valor para o filme, acho que o nome me assustou, mas amei descobrir que estava errada... O filme é muito bom... Extremamente recomendado.

"Baseado em fatos verídicos que ainda permanecem obscuros nos dias de hoje, Piquenique na Montanha Misteriosa está envolto em terror, misticismo e uma lânguida sensualidade adolescente. No anos de 1900, um grupo de alunas de liceu vai fazer piquenique no dia de São Valentim. Duas delas nunca mais irão voltar... Com este belo e perturbador filme, o realizador Peter Weir (Mestre dos Mares) marcou o início de uma nova era para o cinema australiano."

terça-feira, maio 29

Vento


Eu sou o Vento.
Frio Vento,
Pobre Vento,
Rancoroso e invejoso.
Invejo o teu calor,
Invejo o teu amor.
Vida corre pelo meu corpo,
Mas morto permaneço,
E na existência me enriqueço.
Te vejo,
Te sigo,
Te sinto,
Te quero.
Lindo ser de corpo frágil,
Que estremece a minha presença.
Lindo ser de olhos claros,
Que suga a minha existência.
Como poderia juntar seu amor ao eterno?
Se sou o vento...
Sem rumo,
Sem lar.
O vento frio,

Que te faz chorar.


[Pic: Google]

Minha



Minha linda Estrelinha
Que brilha toda sua beleza
No triste escurecer da noite
Meu tímido ser
Apreciado por todos que aqui estão
Mas que brilha mais forte em meu coração

Minha linda Estrelinha
Eu tenho te observado brilhar
de uma certa distância
onde meus olhos pouco vêem
mas a distancia parece o seu disfarce
escondendo pequenos defeitos e suas verdades

Minha pequena obsessão rotineira
Que não sai da minha cabeça
Te observo de onde não me vejas
Me torno invisível para que não me enlouqueça
Com os desprezos que me faz sentir

Meu pequeno suicídio
Me faz sofrer sem perceber
Me rejeita sem escolher
Ilumina o meu desespero

Minha morte certa
Sem demora
Meu amor eterno
Sem sucesso
Tu me amas
Apenas não sabes
Esquivas do meu toque
Foge da morte

Meu pequeno ódio
Destruição da minha vida
Minha noite mal dormida

Me faz em meus mais íntimos desejos
Desejar:

“Se não es minha de ninguém mais será”.

[Pic: Angel Blue]


segunda-feira, maio 28

Eu Te Vi



Me senti tão frágil ao te olhar.
Tão suscetível aos sentimentos fúteis,
Que jurei jamais demonstrar.
Me senti uma mentira humana.
Um erro ambulante.

Meu corpo criou proporções,
Que não pude controlar.
Pareci está completamente perdida,
Como um peixe nadando no ar.

O coração batendo em uma seqüência desordenada.
Borboletas voando sem direção.
Um espaço comprimido.
O suor frio da tensão.

Falar se torna difícil,
Todos os comentários me parecem perdidos.
A voz rouca de quem treinou aquele dialogo por dias a fio.
Palavras que de tão repetidas mentalmente,
Perderam seu sentido completo.

Eu te vi.
Eu criei um amor.
Expandi um desejo.
Cultivei uma obsessão.
Quando percebi que já era tarde demais.

[Pic: SeaFairy]


domingo, maio 27

Lógica Ilógica


Em um mundo que não segue uma lógica plausível, tudo é possível e impossível. A realidade é constantemente alterada. Verdades se tornam mentiras, mentiras se tornam verdades.

O tempo passa em sua idade infinita em um espaço sem fim. Seres aparecem e desaparecem em frações de segundos se comparamos a idade do tempo.

A mortalidade da vida que nos leva a imortalidade da morte.

O espaço “ilusório” e sua constante guerra com o espaço “real”.

Na tentativa de não enlouquecer, na tentativa de apenas sobreviver criamos a diferenciação, os agrupamentos, padrões, regras, nomes incertos.
Criamos a lógica ilógica.

[Pic: Google]